| Psicologia clínica
A Psicologia Clínica se baseia na observação e análise
aprofundada de casos individuais. Criada por volta do final do
século XIX por alguns médicos psiquiatras e neurologistas que
tratavam pacientes com doenças mentais, foi desenvolvida por Freud,
médico, discípulo de Breuer. Eles utilizavam a hipnose como método
de cura de tais pacientes.
Segundo a teoria de Breuer, que logo foi incorporada e melhor
descrita por Freud, as doenças mentais provinham de conflitos que
estavam localizados na mente da pessoa, e não necessariamente de
problemas biológicos. Breuer acreditava que através da hipnose a
pessoa poderia driblar censuras que a impediriam de lembrar certos
fatos (os traumas), e assim melhorar sua idéia de tais, ou vivenciar
experiências. Freud depois descreveu esse estado como catarse. Freud
discordava quanto à eficiência da hipnose, e em contrapartida
desenvolveu a técnica da livre associação. Foi aí que a Psicologia
Clínica nasceu, porque trouxe a cura pela palavra.
A Psicologia Clínica cresceu desde então. O advento da Psicanálise
abriu um abrangente campo para novas teorias, como a Psicologia
Analítica de Gustav Jung, discípulo de Freud.
Hoje em dia há muitas linhas de pensamento em psicologia: as mais
famosas são a Psicanálise a Psicologia Analítica, a Análise do
comportamento ou Behavorismo de Skinner e a Fenomenologia. Esta
última nasceu dos pensamentos de Sartre, Husserl, e tem seus
expoentes na psicologia representados por Rollo May
(existencialista) e Fritz Pearls (Gestalt Terapia).
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa.
ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA
(Texto de Marcos Alberto da Silva Pinto )
A Abordagem Centrada na Pessoa. é uma abordagem psicológica
criada pelo psicólogo norte-americano Carl Rogers a partir de suas
próprias experiências pessoais e profissionais indo além da
psicoterapia, podendo ser utilizada em várias outras áreas de ajuda.
É uma abordagem que se diferencia das outras sobretudo por não haver
técnica. Para a abordagem a melhor maneira de se ajudar alguém é
acreditar na pessoa e em sua possibilidade de pensar, sentir, buscar
e direcionar sua própria necessidade de mudança. É a partir daí,
dessa crença na pessoa, da sua capacidade em se auto dirigir, que a
A.C.P. busca tentar facilitar à pessoa condições ideais, para que
esta tenha maior oportunidade de entrar em contato consigo mesma.
Para isso o papel do psicoterapeuta (educador, etc...) é o de
facilitar através de alguns pressupostos básicos no intuito de
colaborar para que a pessoa possa buscar em si própria a sua
direção.
Ser aquilo que se é, é o que a Abordagem Centrada na Pessoa procura
ajudar o outro a ser, pois aceitando-se a pessoa cria em si
condições para repensar e caminhar em direção ao seu crescimento.
Segundo a Abordagem Centrada na Pessoa, não basta o facilitador
assumir determinadas posturas e aplicá-la como técnica, um
facilitador centrado na pessoa deve acima de tudo crer em seus
pressupostos, e ter um jeito de ser que combine com ele, caso
contrário, aplicando o princípio centrado na pessoa como técnica
estará apenas sendo um técnico e ferindo o que a Abordagem Centrada
na Pessoa julga imprescindível em uma relação de ajuda.
Para que esta ajuda seja possível, existe uma crença em alguns
pressupostos básicos para facilitar a relação. São eles:
Tendência de atualização
A Abordagem Centrada na Pessoa crê, que o ser humano possui uma
capacidade inata que lhe impulsiona para a freqüente tentativa de
progredir, ou seja, que dentro de si, a pessoa possui os mecanismos
necessários para lidar consigo e com o outro.
Apesar das diferenças, de cada pessoa ser única, todos no seu íntimo
possuem necessidades semelhantes, que em função de aspectos sociais
e aprendidos, como maneira de se proteger ou ser aceito, a pessoa
sem perceber vai ao longo do tempo abrindo mão dos seus valores,
maneira de ser e sentimentos naturais passando a viver em função de
um padrão pré estabelecido. A partir daí tende a achar que aquilo
que vem de fora é verdade e que o que sente quando diferente do pré
estabelecido é ruim, é feio e que portanto deve ser eliminado ou
camuflado dentro de si.
Nesse sentido a pessoa perde o seu “eu” como referencia
distanciando-se de si, muitas vezes fazendo coisas socialmente
aceitas mas no fundo ruins para si, ou coisas socialmente ruins, que
terminam sendo ruins também para si, mas que fazem parte de sua
fachada.
A tendência atualizante nada mais é do que a crença de que se o
outro tiver condições favoráveis, ele se direcionará de modo a
suprir as suas necessidades e terá seus sentimentos muito mais
claros em si. A partir daí, poderá aceitar e respeitá-los como
legítimos e em conseqüência respeitar também o outro em sua
individualidade.
Crendo na tendência atualizante, que mesmo tornando-se diferente, o
outro tem o direito de ser o que é, a Abordagem Centrada na Pessoa
entende que a melhor maneira de ajudá-lo é proporcionar condições
ideais para essa transformação.
Essas condições são:
1 – Empatia
Em primeiro lugar é imprescindível que tanto o facilitador quanto o
cliente sintam-se bem e verdadeiramente disponíveis nessa relação.
Depois, o facilitador deverá ser capaz de se colocar no lugar do
outro sempre, tendo desta forma, provavelmente maior disponibilidade
interna em entender o outro, seus motivos, seus medos e sentimentos
e conseqüentemente mais condições de não julgar ou direcionar a
relação de ajuda.
2 – Congruência
Congruência significa autenticidade por parte do facilitador quanto
aos seus sentimentos em relação a pessoa que está sendo ajudada.
Tudo que o facilitador sente em relação a pessoa deve ser dito, com
cuidado, carinho, respeito, mais principalmente com autenticidade.
É direito da pessoa ajudada saber o que o facilitador sente a
respeito do que ela está dizendo.
Para a Abordagem Centrada na Pessoa, é importante que o facilitador
diga o que sente, mais é claro que dizer como sua verdade, e não
como verdade absoluta ou uma verdade inconsciente do outro.
Numa relação de ajuda onde o facilitador assume os seus sentimentos
como seus, além de dar ao outro o direito de pensar a respeito, a
tendência é que o outro assuma os seus sentimentos também, livre de
ameaças, apoiado na aceitação, na autenticidade e no acolhimento.
3 – Aceitação Incondicional Positiva
É a capacidade do facilitador em aceitar o outro sempre de maneira
positiva, sempre entendendo que o outro a sua maneira está no fundo
procurando se sentir bem e se encontrar.
Se o facilitador acredita e tem claro dentro de si a tendência
atualizante, fica mais fácil aceitar o outro, mesmo que não
entendendo ou não concordando. Aceitar não significa concordar.
O facilitador pode aceitar em si seus sentimentos, seus limites e
abrir mão de ajudar determinada pessoa, assumindo para o outro a
própria limitação, falando e ouvindo, caso não consiga de fato
aceitar o outro.
Em um ambiente onde a pessoa sinta-se verdadeiramente aceita e
acolhida, livre de ameaças, ela tende a ser ela mesma e a entrar em
contato consigo própria para buscar aquilo que julga importante para
o seu crescimento pessoal.
Psicoterapeuta centrado na pessoa
Assim como tudo na Abordagem Centrada na Pessoa, é valorizada além
da aceitação e do acolhimento a autenticidade, ou seja, ou o
psicoterapeuta dentro da sua autenticidade partilha dos princípios
centrados na pessoa, ou não.
Não existe meio termo.
Isso não significa que um psicoterapeuta centrado na pessoa deverá
proceder como Rogers procedia, a Abordagem Centrada na Pessoa tem
uma proposta de ajuda onde, desde que em sua maneira de ser o
psicoterapeuta preserve a empatia, a congruência, a aceitação
incondicional, creia na tendência atualizante, rejeite a
diretividade, a interpretação, o condicionamento, ele estará
exercendo ajuda ao cliente de maneira centrada na pessoa, é claro
que um psicoterapeuta deve sobretudo estudar, conhecer e se
aprofundar dentro da abordagem escolhida.
Para a Abordagem Centrada na Pessoa, o conhecimento do
psicoterapeuta tem importância, mas a sabedoria tem um peso especial
na relação de ajuda. Isso significa que, muitas vezes o
psicoterapeuta através de seu conhecimento cria uma barreira entre
si e o cliente, perde a disponibilidade verdadeira em ouvir o outro
desprovido de técnica, abrindo mão de sua intuição, percepção, do
não julgamento, do acolhimento, preceitos imprescindíveis para a
A.C.P.
Ou seja, para a Abordagem Centrada na Pessoa ou o psicoterapeuta
acredita nos pressupostos, e é centrado na pessoa, ou não, não dá
para representar ou ocupar os conceitos como técnica. Em sendo,
respeitando o princípio da Abordagem Centrada na Pessoa o
psicoterapeuta, acolhendo seu jeito de ser, irá atender não como
Rogers, mas sim a sua própria maneira, a partir das propostas de
Rogers.
Áreas de Atuação da Abordagem Centrada na Pessoa
A partir dos princípios da Abordagem Centrada na Pessoa, existem
diversos campos de atuação para o profissional que possui esta
abordagem como referência.
Em psicoterapia:
o individual
o grupo (incluindo grupos de encontro)
o casal
o familiar
o ludoterapia
o breve
o plantão psicológico
o aconselhamento psicológico
No hospital, na educação e na empresa
A Abordagem Centrada na Pessoa é ainda utilizada em diversas áreas
de relacionamento interpessoal de maneira formal ou informal nos
mais variados grupos sociais, buscando colaborar para o crescimento
pessoal e nas relações humanas, sempre através da aceitação,
acolhimento, não direcionamento e ética (entendendo esta como algo
muito além das normas pré estabelecidas, mas sim como um respeito
profundo de todos os direitos da pessoa).
Nota do autor
É importante ressaltar que este texto tem como objetivo introduzir
ao leitor de maneira resumida e prática uma visão a respeito da
Abordagem Centrada na Pessoa As formulações aqui apresentadas foram
feitas através de textos da A.C.P. mas sobretudo a partir da minha
visão pessoal, obtida através da minha própria experimentação e da
vivência dentro desta abordagem, podendo assim servir a você como
uma referência, lembrando que a A.C.P. é uma abordagem psicológica
muito ampla e é imprescindível que a pessoa que deseje atender a
partir desta abordagem busque um aprofundamento maior através de
material literário (consulte os LINKS: "Livros", "Teses", "Cursos",
"Eventos" e "Artigos"), cursos (consulte os LINKS: "Centro de
Estudos", "Cursos", “Eventos” e “Artigos”) e vivências práticas
(consulte os LINKS: "Grupos de Encontro", "Cursos", "Eventos",
"Artigos" e "Profissionais da ACP").
Texto de: Marcos Alberto da Silva Pinto-CRP 06/33896-4
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Fadiman, James & Frager, Robert (1986). Teorias da Personalidade.
São Paulo: Harbra.
Rosenberg, Rachel L. (1988). Aconselhamento Psicológico Centrado na
Pessoa. São Paulo: E.P.U.
Rogers, Carl R. (1997). Psicoterapia e Consulta Psicológica. São
Paulo: Martins Fontes.
Rogers, Carl R. (1992). Terapia Centrada no Cliente. São Paulo:
Martins Fontes.
Rogers, Carl R. & Wood, John K. (1978). Teoria Centrada no Cliente:
Carl Rogers. Em A. Burton (Org.), Teorias Operacionais da
Personalidade. Rio de Janeiro: Imago.
|